
Rodrigo contemplou por longos momentos a mulher que dormia em sua cama, os cabelos ocultavam o rosto, passou os dedos delicadamente pelos fios de cabelo para não despertá-la.
O olhar prendeu-se naquele rosto, os lábios partiam-se num gesto silencioso e a serenidade do seu dormir mergulhavam em sua identidade.

Deslizou o lençol que cobria parte do corpo, do seu lado a cama estava quente, tocou no inferno e sentiu o calor que emanava de sua pele, as pernas estavam semiabertas, os seios redondos e firmes cabiam em sua mão.
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Deitou-se perdido em pensamentos, não se lembrava dos acontecimentos da noite anterior, julgava estar consciente de todos os episódios, mas pela ausência deles estava certo que perdera a consciência em qualquer momento e agora estava assim...desesperado!
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No chão as roupas estavam espalhadas, abriu a carteira, espiou os pertences desta mulher que nem o nome sabia e viu um bilhete escrito com a sua caligrafia, dizia que se sentia só, que precisava de companhia, havia traços de poesia inacabada, rabiscos, nomes em vão, algarismos e a morada de sua casa...ah lembrava-se que tinha escrevinhado qualquer coisa...e na mesa ao lado estava uma mulher sentada sozinha com o olhar perdido, aproximou-se dela e entregou o tal bilhete!
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Caminharam em silencio, Rodrigo abriu a porta de sua casa e deitou-a na cama, murmurou palavras desconexas e soltou os cabelos presos deixando cair como uma cascata em seu peito, limpou as lágrimas beijando cada gota cristalina como um vinho raro e doce, bebeu e embriagou-se em seus beijos, ela cavalgou em si como um animal insaciável, buscando a liberdade, e ele deixou-se dominar pela sua força, caiu em seus braços afagando o seu desejo com o encanto de sua aura, despindo a fragilidade de seu ser!
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Ela adormecera em seus braços e os dois se perderam em seus mundos solitários...
Levantou-se sem fazer barulho, fechou as cortinas da vida deixando a escuridão inundar seu mundo, caminhou feliz para a cama, puxou-a para perto de si, ouvindo um gemido doce e num sussurro disse-lhe:
- Ainda é noite meu bem, temos a infinitude do tempo do nosso lado!