Monday, November 16, 2009

Fiz amor com a intensidade de uma chuva de Verão, abracei-me como se fosse a primeira vez após uma longa ausência entre a alma e o espírito, humedeci a tristeza com beijos e carícias infinitas, pois elas nos aconchegam como um manto quando sentimos frio, isolada entre a Vida e o precipício escolhi a solidão de me pertencer, vesti a pele de sentimentos imaculados, escondi as nódoas com um papel pardo e aromas de alecrim e vi um coração suplicando por um lugar dentro de mim...Abri a porta do meu olhar, debrucei-me para contemplar o amanhecer, fiz um desenho onde o Sol brilhava a cada instante, pisei na relva molhada sentindo a brisa que acaricia a liberdade, varri as folhas de Outono que escondiam partes de mim e abracei um novo começo..
Colori a tristeza de branco para me recordar da esperança, as lágrimas de azul para contemplar o mar ausente...

E num abandono doce, deixei que a Vida mergulhasse em mim!

Monday, November 9, 2009

"É que ela tem qualquer coisa
além de beleza qualquer coisa de triste
qualquer coisa que chora
qualquer coisa que sente saudade.
Um molejo de amor machucado.
Uma beleza que vem da tristeza
de se saber mulher."
( Vinicíus de Moraes )

Thursday, October 29, 2009

Criador?!

Ao ler o livro de Frankstein, o jovem físico de ciências naturais que constrói o seu monstro no laboratório, como a própria obra indica Frankstein não é o nome do monstro mas sim do seu inventor.
Ao ler os comentários de umas das frases que retirei do livro, apercebi-me que após um longo dialogo profundo e extremamente sincero, que esta frase tinha tudo a ver com as mudanças que nascem em nos por culpa de outrem...quem nunca mudou a sua forma de ser, por alguém?
Lemos todos os dias frases, livros que nos inspiram para ser um ser humano melhor, aprendemos a progredir para o sucesso de nos mesmos, mas esquecemos que o maior sofrimento é causado pelo homem.
Frankstein criou o seu monstro na certeza que estava a gerar um ser perfeito, passou dias, meses em seu laboratório, ocupando-se da sua criação.
E quando finalmente dera vida aquele que o ia perseguir ate ao resto da sua vida, ele o despreza, o abandona a margem de si e é ai que ele falha como seu Criador.
O monstro na sua deformidade, aprende a reconhecer por si mesmo, que é desprezado por ser diferente, no seu intimo queria ser aceite, amado e acarinhado.
Após uma longa temporada vivendo na solidão e com sede de amor, se escondendo do mundo pelos maus tratos causados pelos outros, o monstro descobre uma família que admira profundamente, por eles conhece a vida em sociedade e aprende a admirar as qualidades de seus protectores e a desprezar os vícios da Humanidade, mas atenção!
Ele é apenas um voyeur, ganha afeição observando-os de longe, chora com as suas lágrimas e ri com as suas alegrias e quando ganha coragem e os procura tal as vicissitudes dos seus infortúnios, eles acabam por fugir daquele que não passa de apenas um ser disforme e desprezível.
É ai que a catarse ganha outras tonalidades...o seu sofrimento era ampliado pelos sentimentos de injustiça e de ingratidão daquele que os havia infligido.
O que seria do monstro se Frankstein o tivesse aceitado e dado as bases necessárias de amor e compreensão, para que pudesse viver em sociedade, mesmo com todas as suas imperfeições e deformidades físicas e espirituais?

Friday, October 23, 2009

Olhei a minha vítima e o meu coração encheu-se-me de alegria
de um triunfo diabólico, bradei:
- Posso, eu também, criar o desespero!
Frankenstein
"Mary Shelly"

Tuesday, October 13, 2009

Bebo da minha loucura...

Bebo da minha loucura, tatuando as sombras que pairam no ar como páginas soltas, sinto-me liberta tal as nuvens que cobrem o céu...
Penetro no mais fundo do teu olhar e desembrulho o teu corpo, deliciando-me com o toque suave dos teus dedos entre a minha intimidade, abro caminho para que sintas o expoente de uma noite de luar!
Rendo-me a este jogo de sedução, entrego-me completamente subjugando a minha audácia na eternidade do teu ser...imploro que não pares de me tocar, imploro que sintas o tecido da minha pele a chamar por ti, que te encontres e te percas nas curvas do meu corpo prestes a atirar-se do precipício.
Sacio a minha sede, sede que se mistura de carências, de infinitas mortes, de uma mistura de sabores e de várias reencarnações em teus lábios, bebo deles engolindo a vida num só trago!
Inflamada pelo desejo, inspiro-me em teus sonhos que se tornam ardentes dentro de mim...
O Sol é sempre visível através do teu olhar, descubro a misteriosa força que atrai o desflorar de cada flor, peco-me desvirginado as pétalas que escondem a essência de um poeta.
E inadvertidamente exponho a minha nudez, salpico lágrimas num rio desenhado por ti, navego o meu ser nas ondas do teu mar, parte de mim transborda na incerteza, na incógnita...
Cada vez que te encontro, o meu amor aumenta mais um bocadinho, cresço mais uns centímetros e deslizo na suavidade infinita deste prazer!

Tuesday, October 6, 2009

Faltam-me as palavras,
Engoli as letras com sabor a amargo
E deixei o prato vazio de sentimentos.

Friday, October 2, 2009

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… para me encontrar…
Florbela Espanca

Regresso.....Palavras sentidas, oh tempo! Cheguei...