Tuesday, March 16, 2010

"Tenho que ter paciência
para não me perder dentro de mim
vivo me perdendo de vista
Tenho que ter paciência
porque sou vários caminhos
inclusive o fatal beco sem saida"
Clarice Lispector

Tuesday, March 9, 2010

Órfã

Ontem Carlota contou-me uma historia feliz, aquelas historias tão cheias de magia tal as fotos já amarelas pelo tempo e na qual procuramos abraçar.
Carlota veio ter comigo. ah já havia dito, gosto de me repetir, dizer as coisas mil vezes, para que as palavras se tornem adultas e serenas como a inocência de uma criança..as duas ficamos despertas a ouvir o som da chuva que batia miudinha na janela da meu quarto cor-de-rosa, a minha cor preferida, obvia porque ela transmite a essencia do meu "eu"...
Pois é, Carlota contou-me a tal história quando o meu mundo começou...não sei bem onde terá buscado tal ideia, mas compenetrada e muito atenta apercebi-me que a minha existência era importante para si.
Escutei a sua voz melodiosa, fiquei atenta a observa-la, a estudar os modos delicados e como os objectos permaneciam em suas mãos, tocava neles para descrever mais intimamente os contornos da minha nascença, absorta a contemplar o seu rosto, adormeci sem escutar o fim, nem o meio apenas o principio...Lembro-me deste começo..

- Irina quando nasceste, nesse dia de Outono onde as folhas se renovam e esperam pelo Sol...tu choraste por mim....
Como? Se o teu rosto me era desconhecido...Quando despertei para desculpar por ter adormecido, Carlota já há muito tinha ido embora, senti o vento beijar as minhas faces através da corrente de ar que vinha da porta, sinal que tinha partido e não dissera Adeus, ficou algo por dizer, uma morada para encontra-la e tudo o resto sem graça nem magia.
Todas as noites, ainda procuro saber o que se passou e porque chorei por ela quando nasci....resta apenas o objecto presente na minha cómoda, onde Carlota imprimiu as suas marcas invisíveis e um resto de perfume ficou colado a sua pele feita de porcelana...


Thursday, February 25, 2010

Fiquei na penumbra daquele sentir...
Escutei as vozes no silêncio do meu vazio
E deixei de alcançar o horizonte!
Delineei um traço no céu,
Para que cada vez que me perdesse no Universo
Soubesse o caminho de volta.
Chorei lágrimas invisíveis para ocultar a dor,
Fingi ser um sonho na ilusão da minha existência!
Quantas vezes perguntei a Vida as razões da minha espera...a resposta foi para sempre!

Tuesday, February 16, 2010

Descansa no meu leito...

Descansa no meu leito, a cama esta vazia e ao relento...
Baloiça as tuas emoções na plenitude do meu ser

E veras que as palavras mudas estão estendidas ao Sol!
É inescrutável como divago na noite
Sem sequer desejar adormecer a saudade,
Molho os beijos num rio coberto de sentimentos
Ao encontro do descanso...
E nestas horas em que o vazio penetra em ti,
Reverencio a Vida para que deite gotas de perfume em tua pele,
Para que sintas o aroma que vem dar a mim!

Saturday, February 6, 2010



Sou o Espírito da treva,
A Noite me traz e leva;
Moro à beira irreal da Vida,
Sua onda indefinida
Refresca-me a alma de espuma...
Pra além do mar há a bruma...
E pra aquém?
há Cousa ou Fim?
Nunca olhei para trás de mim...
(Fernando Pessoa)

Thursday, January 28, 2010

Peco-me...

Por ti, cometo pecados, aprisionando deliberadamente a dor numa prisão sem grades.
Entro num beco sem saída, saciando o desejo da luz através dos teus olhos que iluminam a escuridão que penetra em mim.
Penso em ti, abro as paginas do teu pensamento, leio as entrelinhas do teu ser, desejando ardentemente ser a tua pele para que possa sentir as dores e a vida num só instante.

Faço um esboço do teu ser, desenfreadamente moldo as nossos corpos entrelaçados, a obra esta feita!
Pego nela com delicadeza para não magoar os sentimentos, quero-a imaculada sem vestígios de dor, desejo-a tal a minha paixão inolvidável por ti, deslizo os dedos pelo rosto ainda por terminar, fecho os olhos imaginando que és tu!

Caminho com precaução para que nada nos derrube, para que o vento não a leve de mim, sussurro versos escritos no meio da madrugada para não despertar o nosso sono e sem deixar de tê-la junto a mim, transporto-a com se de um corpo fosse, deito-a na cama, os lençóis de cetim suavizam este encontro, colo o meu rosto á moldura imprimindo os olhos, dando expressao ao olhar, os lábios vestem-se de beijos, partes de mim que ganham vida conforme as emoções que deposito nela.
Deslizo os dedos ressequidos de paixão pelas curvas que se encaixam na perfeição nas minhas mãos, contorno os lábios com beijos húmidos, dou vida as imagens que se perdem na minha mente, sentindo o conforto do teu abraço na invisibilidade deste momento só meu...

Monday, January 4, 2010

Rio.... de Janeiro!

Vou passar uma temporada na cidade maravilhosa,
relaxar ao som da Vida!
Volto em breve
Um beijo doce

Regresso.....Palavras sentidas, oh tempo! Cheguei...