Tuesday, September 22, 2009

Fui ao encontro de mim...

Fui ao encontro de mim, vesti-me com o meu melhor vestido, aquele que tu conheces tão bem, o teu preferido!
Enxuguei as lágrimas perdidas em teu olhar e alisei o tecido amarrotado dos nossos corpos que com o passar do tempo foram esquecidos e abandonados na cave da nossa existência, postos de parte por uma guerra qualquer entre o mundo e nos!
Perfumei a nossa alma com aromas silvestres, uma mistura de vida e ousadia carregada de novas emoções, contrastando com o vazio há muito penetrado em si.
Olhei para o espelho onde desenhei com os dedos carregados de batom e ligeiramente a tremer uma mensagem ao esquecimento, disse-lhe que ia ao encontro de mim e se me perdesse que fizesse o favor de ser feliz!
Caminhei ao encontro de quem conheço tão pouco ou quase nada, observei a minha imagem reflectida em todos as montras onde os manequins estavam mais vivos que eu e vi o meu rosto impassível na obscuridade do mistério...
Senti por instantes a subtil leveza da vida, desenruguei o pensamento antes perdido em sentimentos gastos e ressequidos pela falta de nuances e senti a imensa saudade que comanda as comoções, saudades de mim, pelas inúmeras ausências em que me perdi e o meu rosto contemplava-me com vontade de me ter eternamente....

Thursday, September 17, 2009

"Odeio as almas estreitas,
sem bálsamo e sem veneno,
feitas sem nada de bondade
e sem nada de maldade."
(Friedrich Nietzsche)

Wednesday, September 9, 2009

Legends...

Quantas vezes percorremos o vazio, ultrapassamos os sentidos na ignóbil certeza que temos garantias que a vida é um lugar maravilhoso de se estar!
Duvidamos que paralelamente ao nosso mundo, todos vivem da mesma maneira e quando damos conta somos bombardeados com imagens e vidas que não se igualam a nossa vivência, sujeitamos a questionar o que seria da vida sem nos!
Escolhemos percorrer a estrada na incerteza que teremos sucessos, outros não passam de meros espectadores da vida e ainda existem aqueles que não precisam de lutar, pois a sorte é lhes entregue na bandeja doirada de uma dádiva qualquer.Agora visto-me de espectador após longos dias, meses e anos a espera de um milagre generoso!
Escolho o caminho mais difícil, aquele em que crianças, mulheres e velhos necessitam de um tecto para morar, que não sabem que daqui a mais tarde irão se alimentar, que se abrigamAdd Image em escombros e olham para os céus na débil ideia que os seus "gritos" serão ouvidos.
Não preciso de mais exemplos para entender que a minha vida é uma bênção e que o "pouco" é muito pois tenho a escolha de ser livre e feliz!
Deixo de comparar para perceber que temos o que merecemos, e que o sentido mais integro da vida é sermos os "melhores" como seres humanos!
Auto-elogiamos por termos conseguido vencer uma guerra, quando milhares de outros inocentes morrem, ou perderam o mais precioso de si, sentimos orgulhosos quando damos a tal resposta ou temos a tal atitude de tratar o amigo, o parente, o estranho e o conhecido com a maldade que vive em nos....mas tudo isso são meras fragilidades de um ser perdido e que a única vitoria é não ter ganho absolutamente nada!

Olho ao redor e fecho as cortinas deste palco onde os monólogos são um mero texto escrito nas paredes invisíveis da vida, aprendi a relevar as coisas inúteis e a concentrar-me em amar aqueles que um dia vão partir...tal como eu também!
Faço do meu ensaio ainda tão prematuro um gesto simples e prometo-mo ajudar aqueles que precisam e não os que deixaram de acreditar!
A vida é uma incógnita, somos o espelho das emoções que habitam em nos...caminho sem nada esperar...


Tuesday, September 1, 2009

O Corpo

O Corpo...
Pediu ao Sol que descesse sobre si e rendesse a beleza das suas curvas perfeitas, anunciou a vida que estava preparado para o amanhecer...Observou minuciosamente as partes que comandavam as suas emoções, colocou a mão sobre o peito para ouvir a melodia orquestrada do seu coração ainda inocente e imaculado de tristezas. Principalmente ficou a contemplar O Corpo nos olhos de outro alguém, vê-lo acordar e perto de adormecer, deslizando a ilusão na periferia do seu sentir, húmido tal a suavidade da chuva de Verão, O Corpo deitado no seu leito, observou a noite que anunciava os seus sonhos, olhou para dentro se si a busca de compreensões, transportou-se para um lugar só seu...um mundo onde as palavras faziam eco e a natureza estava presente quanto a necessidade de uma tranquilidade qualquer!Parte de si transbordou na incerteza, na incógnita e a outra parte na transparência que procura o seu ser...O Corpo traduziu a linguagem dos sinais em sua pele, desvendando a alma perecível escondida num rio profundo que só as suas lágrimas conseguiam ver...declamando o lirismo nas linhas do seu rosto, colorindo o olhar de brilho e os lábios de vermelho suave...
Abriu espaço para desafiar o desejo que invadia inesperadamente através do toque delicado de seus dedos, sentiu o gosto molhado de penetrar-se em si mesmo, chamou por si declamando seu amor...