Thursday, October 29, 2009

Criador?!

Ao ler o livro de Frankstein, o jovem físico de ciências naturais que constrói o seu monstro no laboratório, como a própria obra indica Frankstein não é o nome do monstro mas sim do seu inventor.
Ao ler os comentários de umas das frases que retirei do livro, apercebi-me que após um longo dialogo profundo e extremamente sincero, que esta frase tinha tudo a ver com as mudanças que nascem em nos por culpa de outrem...quem nunca mudou a sua forma de ser, por alguém?
Lemos todos os dias frases, livros que nos inspiram para ser um ser humano melhor, aprendemos a progredir para o sucesso de nos mesmos, mas esquecemos que o maior sofrimento é causado pelo homem.
Frankstein criou o seu monstro na certeza que estava a gerar um ser perfeito, passou dias, meses em seu laboratório, ocupando-se da sua criação.
E quando finalmente dera vida aquele que o ia perseguir ate ao resto da sua vida, ele o despreza, o abandona a margem de si e é ai que ele falha como seu Criador.
O monstro na sua deformidade, aprende a reconhecer por si mesmo, que é desprezado por ser diferente, no seu intimo queria ser aceite, amado e acarinhado.
Após uma longa temporada vivendo na solidão e com sede de amor, se escondendo do mundo pelos maus tratos causados pelos outros, o monstro descobre uma família que admira profundamente, por eles conhece a vida em sociedade e aprende a admirar as qualidades de seus protectores e a desprezar os vícios da Humanidade, mas atenção!
Ele é apenas um voyeur, ganha afeição observando-os de longe, chora com as suas lágrimas e ri com as suas alegrias e quando ganha coragem e os procura tal as vicissitudes dos seus infortúnios, eles acabam por fugir daquele que não passa de apenas um ser disforme e desprezível.
É ai que a catarse ganha outras tonalidades...o seu sofrimento era ampliado pelos sentimentos de injustiça e de ingratidão daquele que os havia infligido.
O que seria do monstro se Frankstein o tivesse aceitado e dado as bases necessárias de amor e compreensão, para que pudesse viver em sociedade, mesmo com todas as suas imperfeições e deformidades físicas e espirituais?

Friday, October 23, 2009

Olhei a minha vítima e o meu coração encheu-se-me de alegria
de um triunfo diabólico, bradei:
- Posso, eu também, criar o desespero!
Frankenstein
"Mary Shelly"

Tuesday, October 13, 2009

Bebo da minha loucura...

Bebo da minha loucura, tatuando as sombras que pairam no ar como páginas soltas, sinto-me liberta tal as nuvens que cobrem o céu...
Penetro no mais fundo do teu olhar e desembrulho o teu corpo, deliciando-me com o toque suave dos teus dedos entre a minha intimidade, abro caminho para que sintas o expoente de uma noite de luar!
Rendo-me a este jogo de sedução, entrego-me completamente subjugando a minha audácia na eternidade do teu ser...imploro que não pares de me tocar, imploro que sintas o tecido da minha pele a chamar por ti, que te encontres e te percas nas curvas do meu corpo prestes a atirar-se do precipício.
Sacio a minha sede, sede que se mistura de carências, de infinitas mortes, de uma mistura de sabores e de várias reencarnações em teus lábios, bebo deles engolindo a vida num só trago!
Inflamada pelo desejo, inspiro-me em teus sonhos que se tornam ardentes dentro de mim...
O Sol é sempre visível através do teu olhar, descubro a misteriosa força que atrai o desflorar de cada flor, peco-me desvirginado as pétalas que escondem a essência de um poeta.
E inadvertidamente exponho a minha nudez, salpico lágrimas num rio desenhado por ti, navego o meu ser nas ondas do teu mar, parte de mim transborda na incerteza, na incógnita...
Cada vez que te encontro, o meu amor aumenta mais um bocadinho, cresço mais uns centímetros e deslizo na suavidade infinita deste prazer!

Tuesday, October 6, 2009

Faltam-me as palavras,
Engoli as letras com sabor a amargo
E deixei o prato vazio de sentimentos.

Friday, October 2, 2009

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder… para me encontrar…
Florbela Espanca