Tuesday, May 26, 2009

Ainda é cedo...

Ainda não te posso amar, quando estou longe de mim, quando os meus olhos ocultam as emoções do coração fingindo sorrir...
Ainda é cedo para despertar na tua essência, na eloquência deste sentir complexo, ainda é cedo para amar!
Ainda não construi o meu rosto, estilhaços de vidros partidos rastejam num chão frio, onde os restos de mim andam a solta submersos num Universo que desconheço e não me encontro.
Vagueio num beco sem saída, divagando a ausência.
Componho um novo enredo, finjo me amar na esperança de te encontrar...tranco a porta e deito-me na cama, junto ao teu corpo carente de mim, tenho urgência de desejo, um orgasmo que sai estremecendo na curva do meu ventre!
E já saciada, corro para a porta ao encontro do Adeus, saio para a noite onde o vento frio beija-me o rosto, caminhamos de mãos dadas como dois amantes que se encontram na madrugada como medo de se ver.

Friday, May 15, 2009

Vasculho-te!!

Vasculho-te, procurando vestígios da tua história em cada pedaço de mim
Fico imersa a contemplar o reflexo do meu rosto no espelho do teu olhar
E colo os meus lábios aos teus deixando-os repousar aquando da tua ausência!
E ficamos assim...nós os dois na noite...abraçados a uma única pele,
Soletrando sonetos ao som dos meus gemidos
Percorres a estrada do meu sentir
Deslizando os dedos nas curvas do meu abismo!
Penetras esta selva misteriosa onde o luar se esconde atrás do Sol
Escrevinhando palavras sem nexo nas páginas do meu ser
Naufrago em teu peito sentido as ondas tempestivas deste amor
Ainda tão livre e preso de desejo!
Aprisiona-me em teus sonhos...só assim a nostalgia faz sentido!

Direitos reservados - Naela

Wednesday, May 13, 2009

A minha empresa...

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
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mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os
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desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor
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da própria história.É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um
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oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 - Lisboa, 30 de Novembro de 1935)

Thursday, May 7, 2009

Linhas de uma Palma

Quando menos esperei, quando menos me senti, num dia qualquer tal e qual a monotonia dos meus dias e das horas vesti-me assim, direi...tal como sempre quando o amor já não faz parte do nosso espelho, simples como a minha alma, desprovido de brilho em meu olhar, os cabelos soltos com um aroma suave dos meus pensamentos, obriguei-me a caminhar, a sair desta prisão sem grades, a abrir a porta da minha casa rumo a familiaridade da minha rua, dos cheiros, da segurança de estar onde deveria estar!

E quem foi que com a sua ousadia e destreza teve a coragem de ultrapassar a barreira do meu ser? Que me fez sorrir sem receio do vácuo a minha frente, que me olhou desnuda de cores em meu rosto e me fez sentir o inimaginavel, que conversou comigo através do silêncio que nos separava e disse-me: desejo-te!

Sorri para si, desconhecendo o mistério daquele sorriso, questionando apenas a vida por aquele sinal inadvertido, sem avisos!
Deixei-me entregue a dúvida de quem nasce órfã do mundo!
Sai apressada, cabisbaixa passando pela tua alma gémea que gritava por mim, corri querendo fechar as portas da oportunidade, mas tu, mais sábio que a minha ignorância, chegaste antes de mim!


Segurei a tua mão, sentindo as linhas do teu destino tão similar a minha e compreendi o dogma da vida, transcendi a um universo que apenas pensei alcançar num tempo sem tempo e alisei a folha de uma página esquecida onde apenas se lia: VIDA!

Voluntariamente segui-te, como viciada a esse ópio que toca na pele e arrasta-se como um bêbado deitado numa esquina sem saber no que pensa, toquei-te a alma com os dedos embrulhados num papel pardo e senti-la fez-me renascer, penetrei em teu olhar, sentido o pulsar da vida que a cada piscar ressuscitaram os meus!Regresso ao início, renovo os votos de quem sabe que encontrou o que desejava, espero por ti todos os dias num estacão qualquer, prostituindo os sonhos para que eles se tornem em realidade, descubro-me nua a cada toque do teu abraço, celebrando com uma alegria revestida de dores a cada encontro...mantenho a duvida, insisto que nada faz parte da realidade e finjo adormecer quando me cobres de beijos!
Direitos reservados - Naela