É assim que me lembro de Moçambique, a terra onde nasci e vivi uma das mais lindas experiencias humanas e onde naturalmente conquistei um mundo melhor dentro de mim.
Vivemos numa sociedade meramente consumista, damos importância aos valores materiais, vivemos a competir com o próximo e para suavizar esta sensação dúbia, damos o nome de ambição!


Vivemos numa sociedade meramente consumista, damos importância aos valores materiais, vivemos a competir com o próximo e para suavizar esta sensação dúbia, damos o nome de ambição!

Mas quando fecho os olhos, toco suavemente nos rostos que me beijaram a face cada vez que comparava a minha vida com o luxo maravilhoso do Universo...
E na expressão feliz e serena de quem habita uma palhota e vive o seu quotidiano de uma forma nobre, que dorme no chão rodeado de quem ama e come uma refeição por dia, que anda quilómetros de distancia a pé, sem dinheiro para o transporte e chega ao trabalho como quem conduziu um Mercedes, deixa o meu coração transbordar de um orgulho extremo de um povo que sabe ser feliz de uma forma magica.

Passo os dedos delicados nas fotografias registadas na minha mente, sacio a fome através dos rostos sorridentes e tímidos que me saudavam, vejo crianças brincarem com rodas de pneus, bonecas com o corpo desfeito, amputadas, brinquedos partidos, vejo-as correr pelo corredor do meu prédio com a alma imaculada de desejos.

Apanho o "Chapa", o único meio de transporte que conheci em Moçambique, lotação máxima de 10 lugares somos quase 15, no entanto observo que estou quase no colo de um passageiro qualquer, as minhas roupas estão amassadas, vamos a uma velocidade
máxima, uma aventura nunca antes sentida, o cobrador vai quase com metade do corpo fora, chego ao meu destino e grito: PARAGEMMMM
Sorrio...fecho o álbum de fotografias e guardo-as na plenitude do meu ser, para me lembrar que não devo exigir o mundo, mas sim a simplicidade de uma VIDA!
